domingo, 23 de agosto de 2015

EU SOU APENAS UM RAPAZ LATINO-AMERICANO

    Recomenda-se que política não seja feita com o fígado. Essa arte requer cálculo e frieza. No entanto, tenho grande admiração pelos políticos que, demonstrando serem de carne e osso, quando a conjuntura exige, estão prontos a reagir e a contra-atacar com firmeza os adversários. Mas, e a tática? Às vezes, não se faz necessário dar um passo atrás para depois progredir dois? Você não se considera marxista, cara? Então, deveria saber essas coisas... Sim, tudo isso é recomendável. Não obstante, penso haver uma grande distância entre essa liturgia e a apatia de Dilma Rousseff. Esta, definitivamente, não está comprometida com as transformações que se fazem necessárias na secularmente desigual sociedade brasileira. Aí está a aceitação tácita da famigerada "Agenda Brasil", que prevê, entre outras leviandades aos trabalhadores, a regulamentação e consequentemente ampliação das terceirizações. 
    Não, que fique bem claro, não defendo o impeachment. Não, não estou ao lado de Aécio, FHC, Gilmar, Roger, Lobão etc. Abomino todos eles. Mas também não posso subscrever as atitudes da presidenta nesses oito meses de mandato. Trata-se da aplicação (sem anestesia) do mais ortodoxo programa neoliberal.
    No que se refere à tática, pensei muito nela ao, sem cobrar nada, sem ser membro do PT ou de algum partido da coalizão, sem vislumbrar nenhum ganho material imediato, fui às ruas no segundo turno fazer campanha para então candidata à reeleição, sendo por isso muitas vezes insultado e ameaçado, pois àquela altura o clima de ódio já estava disseminado em setores da sociedade brasileira. Em que fui contemplado sendo tático, frio e calculista? 1) cortes de verbas para Educação; 2) cortes de benefícios para a classe trabalhadora; 3) política externa muito inferior a de Lula;4) taxas de juros exorbitantes... 
    Em suma, uma vez mais, defendo a manutenção de Dilma. Aliás, não vale nada eu defender já que o filho do Roberto Marinho também defende, juntamente com os presidentes de Itaú e Bradesco. No entanto, e aqui sendo prolixo, pois a repetição é importante nesse caso, não posso deixar de divergir da maneira como Dilma gerencia (ou não) a crise. Aliás, lembram-se dos políticos que admiro por serem de carne e osso? Então, mando um salve para o mano Brizola, outro para o mano Chávez, sem esquecer de um para o Rafael Correa e um abraço pro Maduro. Nenhum desses era ou é comunista, diga-se de passagem.

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