domingo, 23 de agosto de 2015

ASSIM EU INFARTO

    Jogamos bem ontem. Relembrando o grande "Placar Moral" do jornal O Globo, era para ter sido Flamengo 4 x 1 São Paulo. Porém, desperdiçamos muitas chances claras. Pasmem, nosso artilheiro, o grande Guerreiro foi responsável pelo desperdício de três delas. Mais claramente, nosso demolidor de caô teve durante o jogo quatro chances. Botou a bola na rede em uma (na quarta), perdendo outras três. Nosso nove finalizou com tranquilidade, fingindo o arremate duas vezes, esperando assim que o goleiro tricolor se jogasse no gramado para então tocar a pelota sutilmente no canto direito do arqueiro. Na comemoração, o ex-jogador do Corinthians foi às lágrimas. Na entrevista pós-jogo, disse ter tirado um peso das costas, pois o jejum de gols estava prejudicando até suas noites de sono. Mostra-se assim comprometido com a causa Flamengo. Ponto para ele que tem tudo para ser ídolo dos rubro-negros, ocupando uma lacuna deixada pelos três pilares do time campeão de 2009: Bruno (que infelizmente deixou de ser ídolo de maneira trágica), Petkovic e Adriano (que desde então, exceto um gol importante marcado quando jogou pelo Corinthians, não mais brilhou).
    Repetiu-se no jogo de ontem no Maracanã, diante de impressionantes 36 mil pagantes (público total de 43 mil), a tônica da peleja diante do Atlético Paranaense, realizada no mesmo estádio - ou arena, para os moderninhos. O Flamengo foi infinitamente superior ao adversário, tendo com isso a possibilidade de aplicar uma goleada sem sofrer sustos. No entanto, por não aproveitar as oportunidades, o time acaba por complicar o jogo, tomando certo sufoco no final. Para se ter ideia, o primeiro ataque dos comandados de Osorio foi justamente a jogada que originou o escateio. Na cobrança do mesmo, após falhas de César e Samir, o time paulista fez 1 x 0. Definitivamente, já perdi as contas de quantos gols o Flamengo tomou a partir de jogadas aéreas dos adversários. Entra treinador, sai treinador e a coisa se repete. O sofrido ontem foi tão ou mais bizarro do que o tento assinalado por Ricardo Oliveira, há algumas semanas atrás, quando a torcida rubro-negra foi reforçada pela presença da competente e bela lutadora Ronda Rousey.
    Logo após o gol são paulino, Ederson, que, enquanto teve fôlego, jogou bem, marcou o empate flamenguista. O tento do urubu nasceu de uma estourada de sua defesa, Guerreiro disputou a bola no alto com um defensor tricolor (alguns acharam que o artilheiros das duas últimas edições da Copa América cometeu falta, opinião essa que eu divirjo), a mesma sobrou para o camisa dez, que, com ela ainda a meia altura, fez um belo arremate com o "peito do pé", sem chances para o guarda-metas.
    No segundo tempo, o time do time de Oswaldo de Oliveira foi maior. Talvez o gol logo no início e a instabilidade do adversário, que vinha de duas derrotas em casa, tenham contribuído para nossa superioridade. Éverton, improvisado na lateral-esquerda, supriu muito bem a ausência de Jorge. Samir, após a falha no gol são paulino, fez uma partida razoável, assim como Márcio Araújo atuando de primeiro volante. Outro protagonista foi Emerson Sheik. Impressionante, o cara tem trinta e seis anos, mas corre o jogo todo. Numa jogada de ataque, ainda no primeiro tempo, o Guerreiro esticou uma bola para ele, o zagueiro estava muito mais perto da mesma, mas, num pique para homenagear o tri-campeonato mundial de Usain Bolt, o veterano atacante rubro-negro conseguiu atingir a pelota antes que o defensor adversário o fizesse. O grande ponto negativo, como vem sendo há vários jogos, foi o Canteros. Lento na marcação e errando muitos passes, o meio-campista argentino já merece ter sua titularidade questionada. No entanto, o mesmo goza de muita simpatia dos treinadores. Oswaldo, ao que tudo indica, seguirá a cartilha de Luxemburgo e Cristóvão, mantendo o argentino no time titular, sobretudo com a recentíssima saída do paraguaio Cáceres.
    Portanto, jogamos bem, mas passamos sufuco desnecessário no final. Desta vez não infartei, mas se quarta-feira, contra nosso grande rival, a coisa se repetir, muito possivelmente passarei a madrugada em alguma UPA por aí.   

EU SOU APENAS UM RAPAZ LATINO-AMERICANO

    Recomenda-se que política não seja feita com o fígado. Essa arte requer cálculo e frieza. No entanto, tenho grande admiração pelos políticos que, demonstrando serem de carne e osso, quando a conjuntura exige, estão prontos a reagir e a contra-atacar com firmeza os adversários. Mas, e a tática? Às vezes, não se faz necessário dar um passo atrás para depois progredir dois? Você não se considera marxista, cara? Então, deveria saber essas coisas... Sim, tudo isso é recomendável. Não obstante, penso haver uma grande distância entre essa liturgia e a apatia de Dilma Rousseff. Esta, definitivamente, não está comprometida com as transformações que se fazem necessárias na secularmente desigual sociedade brasileira. Aí está a aceitação tácita da famigerada "Agenda Brasil", que prevê, entre outras leviandades aos trabalhadores, a regulamentação e consequentemente ampliação das terceirizações. 
    Não, que fique bem claro, não defendo o impeachment. Não, não estou ao lado de Aécio, FHC, Gilmar, Roger, Lobão etc. Abomino todos eles. Mas também não posso subscrever as atitudes da presidenta nesses oito meses de mandato. Trata-se da aplicação (sem anestesia) do mais ortodoxo programa neoliberal.
    No que se refere à tática, pensei muito nela ao, sem cobrar nada, sem ser membro do PT ou de algum partido da coalizão, sem vislumbrar nenhum ganho material imediato, fui às ruas no segundo turno fazer campanha para então candidata à reeleição, sendo por isso muitas vezes insultado e ameaçado, pois àquela altura o clima de ódio já estava disseminado em setores da sociedade brasileira. Em que fui contemplado sendo tático, frio e calculista? 1) cortes de verbas para Educação; 2) cortes de benefícios para a classe trabalhadora; 3) política externa muito inferior a de Lula;4) taxas de juros exorbitantes... 
    Em suma, uma vez mais, defendo a manutenção de Dilma. Aliás, não vale nada eu defender já que o filho do Roberto Marinho também defende, juntamente com os presidentes de Itaú e Bradesco. No entanto, e aqui sendo prolixo, pois a repetição é importante nesse caso, não posso deixar de divergir da maneira como Dilma gerencia (ou não) a crise. Aliás, lembram-se dos políticos que admiro por serem de carne e osso? Então, mando um salve para o mano Brizola, outro para o mano Chávez, sem esquecer de um para o Rafael Correa e um abraço pro Maduro. Nenhum desses era ou é comunista, diga-se de passagem.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A arte de andar nos trens do Rio


A arte de voltar para casa


O céu estava cinza naquele fim de tarde tijucano, acabara de sair do estágio e pensava na viagem de volta. É sempre comum temer a volta para casa no trem. Como não podia deixar de ser, os trens estavam atrasados e a estação incrivelmente cheia. Era pouca plataforma para tanta gente. O temor se elevava por causa da chuva que ameaçava todos nas surpresas do clima carioca. Tudo isto anunciava uma viagem de volta conturbada, já havia me esquecido de um Gracialiano Ramos que descansava na mochila a leitura da viagem de ida e até daqueles fragmentos de textos da faculdade que ansiavam pela minha leitura. Tudo era, naquele momento, a viagem de volta. Tomado por esta apreensão e por algum cansaço de fim de dia, tomei o rumo da estação São Cristóvão.
Agonizando uma espera pelo trem, seguia com aquele pensamento único. Algumas dezenas de minutos separaram meu ingresso na estação e a tomada do trem. Quando o Bel (como é conhecido o ramal Belford Roxo) apontou no horizonte foi aquele desespero, e quando pensava que não podia piorar eis que surge um trem com apenas quatro vagões, algo irreal para o fim de tarde. Pessoas se mobilizavam de todas as partes, outras, frustradas por saber que não conseguiria tomar aquele trem e esperaria ainda mais, sentavam e aguardavam na dor de não ter seu regresso naquele momento. A selvageria era algo garantido, eram mulheres atirando seus filhos pelas janelas para garantirem um espaço no trem, homens se esbofeteando para tentar entrar; pessoas que são “normais” em qualquer momento do dia, mas que, na tentativa de abreviar o retorno às suas casas, lutavam arduamente por um espaço naquela composição.
Com algum esforço consegui um lugar, entre a protuberância da barriga de uma mulher de 40 e uma mochila assustadoramente suja. À minha esquerda, possivelmente um funcionário da construção civil com péssimos hábitos de higiene, e, à direita, um sujeito que, aparentemente, tinha problemas auditivos, pois sua conversa poderia ser ouvida de um canto a outro do vagão. Cabe ressaltar que, enquanto meu tronco se localizava numa região, minhas pernas estavam em outro paralelo. O movimento de qualquer membro do corpo era de uma utopia desejável e o equilíbrio era facilmente alcançado nos corpos vizinhos. Só pensava em que tipo de pecado purgava eu naquele ambiente indesejável.
Viagem seguia e pessoas tentavam entrar, cada milímetro disputado no tapa, quando não com armas brancas. Não é preciso dizer que as portas do trem estavam todas abertas, e aquele espaço era curiosamente disputado, tanto ou mais que os bancos. Para os mais jovens, um lugar na porta é equivalente a um lugar ao sol, ou algo próximo.
A chuva não veio, mas a noite que se iniciava dentro daquele trem era tão abafada como o fim de tarde que havia deixado na Tijuca. No interior daqueles vagões a sensação térmica se aproximava do Faherenheit 451, a água evaporava antes de chegar à boca. E quando se pensava que nada poderia piorar aquela situação, eis que um cabra saca um aparelho musical de grande potência sonora que emitia um “batidão” que batia na sintonia da minha dor de cabeça. Mas havia ainda mais, o sujeito era vendedor e queria, em meio à falta de espaço, apresentar seu produto; obviamente ele foi sumariamente “deixado” para trás na estação seguinte.
Minha querida Belford Roxo se aproximava e só me passava na cabeça se todas aquelas pessoas iriam para lá. Não me parecia um lugar tão densamente povoado como quando a tinha deixado mais cedo. E a cidade aponta no horizonte a proximidade de casa, além da poluição típica deste cantão. O trem para na estação e expele a prole que mais uma vez retorna. Pessoas correndo para todo lado. Percebo, com alguma felicidade, a familiaridade de todo este caos. Mais uma vez sobrevivi ao trem, sobrevivência que exige arte. A arte de andar nos trens do Rio.

terça-feira, 16 de abril de 2013

O Que Fará a AGETRANSP?

A primeira quinzena de abril foi tenebrosa para quem se desloca de Supervia. Não que as bizarrices ocorridas nesse recorte temporal sejam exceções na vida dos usuários da dita concessionária. Muito pelo contrário! No entanto, três descarrilamentos, queda de energia ocasionando atrasos colossais, passageiro literalmente ejetado de um trem que partia para Santa Cruz e manutenção no sistema de informação da Central, o que também ocasionou intervalos enormes, são acontecimentos por demais graves para o pequeno espaço de tempo. Dito isso, estou muito ansioso para ver quais serão as medidas tomadas pela nossa AGETRANSP, que é a agência reguladora responsável pela fiscalização da Supervia. Convém sublinhar que a referida agência está sofrendo ação do Ministério Público por improbidade administrativa. Por isso, as ações da AGETRANSP quanto aos absurdos da Supervia serão bastante esclarecedoras no sentido de mostrarem se o povo fluminense pode confiar na agência, de certo modo contrariando a interpretação do Ministério Público, ou se a Supervia é o que é em parte em função do funcionamento inadequado da agência. Por fim, o abril caótico oferece grande oportunidade para a agência se alinhar com o povo na luta por um transporte ferroviário mais DIGNO.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

E O Nosso Temor...

Parece que a coisa está feia na Venezuela. Telesur cercada, ataques a médicos cubanos e grupos armados tocando terror. Após o anúncio da vitória apertada de Maduro, contrariando a previsão, o espectro do golpe passou a rondar a Venezuela. Infelizmente, ao que tudo indica, este virá mais cedo do que imaginávamos, mergulhando o país numa violenta guerra civil.

domingo, 14 de abril de 2013

As Experiências do Professor Jorginho

Nosso prezado professor quase complicou um jogo facílimo, algo comum quando o adversário é o time de terceira, ao tirar Gabriel, o melhor em campo até então, para colocar, pasmem, o João Paulo de ponta esquerda. Outro fator que desestabilizou nosso mengão foi a entrada, no segundo tempo, de W. Nem. Baita jogador! Bagunçou o lado esquerdo de nossa defesa. No mais, a vitória e o placar foram justos.

Em tempo 1: Com toda respeito à Volta Redonda, cidade de importância histórica, no entanto, foi muito estranho assistir ao clássico imortalizado por Nelson Rodrigues e Zico ser disputado no Raulino de Oliveira.

Em tempo 2: É muito irritante assistir jogo pelo pay per view ao lado de alguém acompanhando a partida pelo rádio. O camarada grita gol vinte minutos antes de o PFC exibir a imagem. Você não sabe se olha para TV ou para o imbecil de fone no ouvido. 

sexta-feira, 22 de março de 2013

Nota explicativa



Por que nomear um blog assim? Adianto que não faço ideia, talvez a falta desta. No entanto, não cabe julgar os criadores do blog por seus momentos de alguma falta de criatividade, mas entender do que se trata. Como posto abaixo do nome, o blog está aberto a assuntos diversos: desde um protesto por uma nobre causa até análises de filmes clichês e novelas mexicanas. “Eu tô pensando” é o título de uma música do Rogério Skylab que tem apenas este verso, o autor explicou esta música por sua vontade de falar cada vez menos. Aqui, pensamos, escrevemos e, na medida do possível, praticamos; seja um ato, uma revolução ou, ainda, uma conversa animada sobre costumes.